domingo, setembro 16, 2007

em Processo

em Processo desde a última performance...




o R foi espectador e ainda o é.

Eis o que descobri!

Foi precisamente no dia 25 de Maio que apresentei
a minha última performance

Mal saí do armazém, o R disse que tinha uma coisa para mim.
Estranhei.
Fomos até casa dele... a expectativa era muita.
Abriu a porta, dirigiu-se à sala, sentou-se no piano e começou a "tocar".
Não tocou uma coisa qualquer, tocou aquilo que tinha sentido quando visionou a peça.

Ele só dizia: "naquela parte".... [tocava]
"na outra parte"... [tocava]
"se fosse eu... tocava isto"... [tocava]

Foi nesse momento, que percebi o que aquele espectador
tinha sentido na minha obra.
Era algo diferente.
Mas nunca pensei estar após o fim, a recomeçar o Fuga de um Grito II

Ele "re-tocou" a peça, mediante aquilo que sentiu.

Ora, se "a Oportunidade do Espectador"
exige que me coloque do lado do espectador.

Será este musico um bom exemplo para mostrar
ao outro público aquilo que sentiu na minha obra?

Não se trata de uma interpretação do Fuga de um Grito,
trata-se de um sentimento, de uma sensação,
levada a cabo por um espectador.

Estarei eu a dar oportunidade a um espectador meu?
ou será
que estou a criar uma oportunidade dentro da oportunidade do espectador?

fico por aqui *

3 comentários:

Rogério Nuno Costa disse...

belo twist!

agora é só acarretares com as consequências. é a parte mais vertiginosa, não necessariamente a mais difícil.

auguro sucesso!

beijo,
curador

Renato disse...

Vertiginoso lembra-me queda em direcção à morte...prefiro pensar nesta nova fuga como uma escalada à Torre de Babel da Sensibilidade Humana em que a meio vamos parando e vamos sentindo aromas enebriantes, frescuras exóticas e cânticos de sereias imaginárias provenientes da mente confrontados com a real degradação da vida...GRITEMOS FUGINDO

baldrufa disse...

Voltaste á fase embrionária, e cabe-te a ti descobrires uma nova forma de gritar e de fazer os outros gritar. A vontade cândida de me dares outra oportunidade está eminente até ao projecto se concluir! Fico á espera que esse processo de te soltares do racional acabe por resolver o que não foi entendido no primeiro grito e que o projecto se complete recheado de significados e mensagens sublimes para os cinco sentidos de quem não conseguiu gritar ou de quem nunca gritou!